Esta experiência deixa a Vida mais Leve!
Certamente essa situação está no TOP 3 das maiores vergonhas que eu já passei na minha vida.
Eu já passei vergonha em competição de natação, na escola, quem nunca…
Também já passei vergonha, no quartel, com pacientes, mas com afinador de instrumentos havia sido a primeira vez… e ainda bem que não foi a última.
Cheguei com toda a gentileza e arrogância, já falando que o instrumento estava quebrado …
Justifiquei que, por mais que tivesse dado uma “googada”, procurado tutorial no youtube, não havia achado nada sobre como resolver esse problema.
Claro que eu não falei que estava me sentindo incapaz de não conseguir tirar um único som dele.
E talvez nem fosse preciso falar isso porque a minha irritabilidade e cara de frustração já falavam por mim.
Perguntei então, quase desafiando ele, se já havia visto um desses …
O afinador pegou o instrumento nas mãos, olhou … olhou… fez aquela cara de satisfação, com aquele riso contido de canto de boca, e falou:
– Essa é realmente uma obra única…
O meu riso, não contido, já saiu cantando a trágica vitória antes da hora, porque aí, ele concluiu… obra única pois eu fabriquei apenas um, deste tipo.
Naquele momento, parece que, de forma instantânea e simultânea, as minhas mãos foram para a Sibéria enquanto o meu rosto estava no Saara, e ele só não ficou um pimentão, pela cor da minha pele…

Antes que você pense que esse é o pior momento, já adianto que a vergonha maior ainda estava por vir…
Pois o afinador continuou:
– Apesar de já fazer um bom tempo, o instrumento continua perfeito!
– Na verdade, este instrumento não é de tocar, foi feito para contemplar…
– Basta apenas observar o vento passar por ele, e apreciar a bela melodia.
– Talvez, você é que não tenha a capacidade para ouvi-la.
Eu fui embora P da vida e quando cheguei em casa usei toda a minha teimosia para me dedicar a essa nova missão.
O problema é que quanto mais eu me esforçava, mais o silencio gritava, e ensurdecia a minha vontade de querer continuar nisso.
Então, com toda a maturidade de uma criança que não foi escolhida para jogar em nenhum dos times da escola, eu deixei o instrumento de castigo, num canto da sala.
Até que num sábado de verão, à tarde, enquanto eu lia um livro, ou desafiava a gravidade com as minhas mãos sonolentas, uma brisa refrescante provocou, repentinamente, uma melodia …
Começou, então, uma chuva de lembranças…
Granizos de vergonha, trovões de remorso e relâmpagos de consciência.
Fui inundado por irresistíveis gotas de imagens e filmes…
Numa cena, eu era acordado de madrugada, com o café já feito, para eu ir para a escola…

Noutra, meus filhos rezando “anjo da guarda doce companhia, não me desampare nem de noite nem de dia”, assim como eu havia aprendido.
De repente, um chinelo voador…
Na sequência, um cartaz de escola sendo resgatado de um tsunami de purpurina …
A recordação do apoio às maiores viagens da minha mente…
E a prontidão para novos resgates, como bancar o meu retorno aéreo, após eu ir de ônibus de Santos para São Luíz do Maranhão, num Encontro “Científico” dos Estudantes de Medicina.
E algo muito curioso e inexplicável para uma criança, como alguém podia preferir o pescoço e as asas de frango ?
Até eu vivenciar como é acirrada a disputa dos filhos pela coxa e sobrecoxa num almoço de domingo.
A vergonha maior nesta história, foi a vergonha de ter sentido vergonha …
Daquela que me buscava tarde da noite nas festinhas…
De quem era a tia mais legal dos meus amiguinhos…
Da são-paulina que me fez vestir uma camisa do São Paulo e eternizou numa foto, quando eu era pequenininho.
Da torcedora que gritava e assobiava, nas competições de triathlon ou de natação, seja do outro lado do estado de São Paulo ou numa represa gelada às 7h da manhã, enquanto eu lembrava as famosas frases que ela ainda costuma brincar, agora, com os meus filhos:

“Tá com frio, bate o bumbum no rio, tá com calor, bate o bumbum no tambor.”
“Sol e chuva, casamento de viúva, chuva e sol, casamento de espanhol…”
Foi com ela que eu aprendi a admirar a natureza…
Os ipês amarelos que víamos pela rua, uma bela primavera que tínhamos no quintal, e que ela se orgulhava das pessoas até pararem o carro para fotografá-la e a magia dos arco-íris no céu.
Estudando a Bíblia, pude ver que o arco-íris sempre simbolizou a grande aliança entre Deus e os homens, e naquela tarde de verão não tinha sido diferente.

Ao olhar para o céu colorido, agradeci a Deus, por te me dado a oportunidade de ouvir a sublime melodia do Amor.
O Amor Incondicional daquele que agora reconheço, como o instrumento feito perfeitamente para mim.
Agradeço por ter me dado a Vida e contribuído para ser quem eu sou. Amo você!
Um feliz Dia das Mães a todas as mães, sejam as de sangue, as de coração, as boasdrastas e as de consideração !
Se esta reflexão fez sentido para você, permita-se explorar um pouquinho o seu coração e compartilhe aqui embaixo uma boa lembrança que você tem da sua mãe.