A Medicina Integrativa nunca esteve tão em alta como agora, e isso pode ser muito bom e ruim, ao mesmo tempo…
Existem 3 reflexões importantes a se fazer numa situação como essa para você não tomar uma decisão que te prejudique, ao desejar fazer algo para cuidar da sua saúde.
A primeira reflexão me faz lembrar de quando eu passeava no calçadão da Oliveira Lima, no centro da cidade de Santo André, com a minha mãe, e eu ficava admirado com aqueles artistas de rua.
Eu achava o máximo vê-los saltando entre aqueles arcos com facas pontudas ou dando mortais, mas a parte que eu achava mais interessante era a hora da “pomada do peixe elétrico”.

Era um medicamento fantástico, curava reumatismo, câimbra, furúnculos, torcicolo e fissura no ânus… eu nem sabia o que eram esses problemas, mas na pretensiosa ignorância infantil, eu “aconselhava” a minha mãe que valeria a pena comprar uma daquelas.
Esse deve ser um dos negócios mais sólidos que eu conheço, o produto é tão bom, que várias décadas depois, eu estava como uma sardinha no trem voltando do trabalho, e os ambulantes estavam lá, quebrando a regra de que dois corpos não podem ocupar o mesmo local no espaço, para oferecer a famosa “pomada do peixe elétrico”
Mas, o que isso tem a ver com a Medicina Integrativa?
Quando o taxista, o barbeiro e a sua avó começam a falar sobre um tipo de investimento, por exemplo, é hora de ter cautela e observar um comportamento social chamado “efeito manada”.
É o momento no qual as pessoas agem instintivamente, seguindo como o “consenso da maioria” está fazendo.
O problema é porque isso geralmente acontece quando a bolha está próxima de estourar e a queda pode ser dolorosa aos desatentos.
Nesse mesmo sentido, a cada dia surgem novos influencers prometendo uma solução milagrosa, que vai resolver o seu problema de saúde, sem você nem precisar ter qualquer empenho pessoal.
Ou ainda, garantindo a longevidade eterna, prometendo te transformar no “Highlander”, ou te transformando em “Mumm-rá”, dependendo do soro ou procedimento proposto.

Então, cuidado, nem tudo que reluz é ouro, pode ser apenas que você tenha olhado muito tempo direto para o sol… sabe aquelas luzinhas que ficam aparecendo depois ?
A segunda reflexão tem a ver com a experiência que eu tive em 2007, após ter concluído a minha formação em medicina e em acupuntura, quando iniciei uma pós-graduação na Unifesp em Medicina Comportamental.
Antes que alguém pergunte, esta não é uma especialidade médica, mas uma formação pioneira e muito sólida, sobre o que atualmente chamam de Medicina do Estilo de Vida, naquele momento idealizada pelo Prof. Dr. José Roberto Leite, a quem sou muito grato por mais este despertar de consciência.
Ali eu tive a oportunidade de conhecer muitos profissionais empenhados em demonstrar cientificamente a efetividade de intervenções não medicamentosas, que contribuem para melhorar a saúde e a qualidade de vida das pessoas.
Pesquisadores como o Dr. Marcello Danucalov, com quem pude contribuir em sua pesquisa sobre os efeitos do Yoga e Meditação como estratégia de gerenciamento do estresse dos cuidadores de pacientes com Alzheimer.
Ou a Dra Eliza Kozasa, uma das maiores pesquisadoras sobre meditação, neurociências e comportamento.
Alguém por quem tenho profunda gratidão, pois foi orientadora do meu mestrado em psicobiologia, quando avaliei o impacto da espiritualidade na adesão ao tratamento medicamentoso dos pacientes vivendo com HIV.
Neste processo fui forjado a ter um pensamento crítico, alinhado aos princípios acadêmicos, comprometido a oferecer a melhor prática ao paciente, baseado em evidências científicas e protocolos que combinam segurança e eficácia.
Isso se contrapunha a várias propostas terapêuticas que os pacientes falavam que tinham se submetido, no desespero de ter o seu problema resolvido.
Infelizmente, devido a imperícia, imprudência e, em alguns casos, até mesmo o conflito de interesse de alguns profissionais, muitas vezes os pacientes chegavam com uma condição de saúde até mais agravada para ser tratada.

Por isso, para evitar o charlatanismo na Medicina Integrativa é importante verificar a qualificação do profissional e a evidência de eficácia do tratamento proposto a você.
É fundamental que ele relate, de forma transparente, estas informações para o paciente poder decidir e assumir os riscos e benefícios que deseja, após ter sido esclarecido.
A terceira reflexão para te auxiliar a tomar uma boa decisão sobre Medicina Integrativa, eu aprendi ao passar uma das maiores vergonhas quando eu era Tenente Médico da Aeronáutica.
Quando eu me formei em Medicina, não havia residência médica em acupuntura, por isso eu criei uma estratégia de construir uma trilha de aprendizado para mim.
Eu bancava os meus custos atuando como médico da Aeronátuca de manhã e à tarde eu complementava a minha formação em Acupuntura com o Dr. Ysao Yamamura, participando de todos os ambulatórios e PS, de Acupuntura, na Unifesp.
A grande vergonha, e o tapa na cara definitivo, aconteceu em 2005, quando fui convidado para representar o Brigadeiro Vilarinho, comandante do Quartel General em que eu servia, num evento que iria acontecer na Assembleia Legislativa de São Paulo.
Isso era comum de acontecer, e como ele sabia que eu estudava acupuntura e o evento era para homenagear uma antiga associação de acupunturistas, fez questão de me convocar para esta missão.

Chegando ao evento, fui manifestar a mensagem do comandante ao presidente da Associação, e mais uma vez, fui tomado pela minha “pretensiosa ignorância infantil”…
Eu me apresentei como médico e estudante de Acupuntura, lamentando que apesar dos resultados obtidos com essa prática, era uma pena a Medicina Tradicional ainda não reconhecer esta atividade, naquela época.
Então, o experiente senhor, com sua paciência e sabedoria orientais, me disse:
– Medicina Tradicional é a minha, que tem mais de 5.000 anos.
Aquelas palavras continuam a ecoar na minha mente até hoje.
Ao longo de dois anos vivenciando diariamente os ambulatórios e PS de Acupuntura da Unifesp, eu tive o privilégio de testemunhar milhares de pacientes, alguns já desenganados, que melhoravam de suas queixas com algumas poucas agulhas.
Por mais que estivéssemos num ambiente acadêmico e houvesse um grande esforço para tentar traduzir em termos científicos o que constatávamos, aquelas milhares de evidências de sucesso terapêutico não conseguiam ser adequadas às metodologias científicas habituais.
Portanto, mesmo que não tenhamos a capacidade para explicar, usando os conhecimentos que temos no momento, não podemos ignorar a realidade de tratamentos que possuem bons resultados, repetidamente comprovados pelo tempo.
E sempre busque a avaliação de um profissional médico da sua confiança pois apenas este profissional possui o treinamento adequado para poder confirmar ou descartar um diagnóstico que exija o tratamento da Medicina convencional.
Pontos Importantes:
- Sempre desconfie de promessas milagrosas, principalmente daquelas em que você não precisa fazer nada para ter o seu problema resolvido
- Verifique a qualificação do profissional e solicite informações das evidências existentes sobre o tratamento proposto
- Não ignore os tratamentos das Medicinas Tradicionais, que possuem resultados comprovados pelo tempo, mesmo que a metodologia da ciência atual não consiga comprová-los, mas compreenda o risco que você está assumindo
- Nunca dispense o diagnóstico do seu médico de confiança, apenas este profissional possui o treinamento adequado para descartar ou confirmar situações em que é necessário também utilizar os recursos da Medicina Convencional
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Um grande abraço,
Leandro Romani
Autoconsciência Desperta
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